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sábado, 21 de fevereiro de 2015

Atos 23 Comentários de Ron E. M. Clouzet

Reavivados por Sua Palavra

Leitura Bíblica  - Atos 23
Comentários  de  Ron E. M. Clouzet

Poderíamos dizer que o apóstolo Paulo cometeu três grandes erros diante do Sinédrio, erros dos quais ele mais tarde se arrependeu. O primeiro foi se dirigir a este importante conselho utilizando o termo “irmãos”, em vez da saudação habitual, “autoridades do povo e anciãos de Israel.” Ao chamá-los de “irmãos”, Paulo colocou-se em pé de igualdade com esses líderes. Poderíamos desculpar esta abordagem por conta do anseio de Paulo de se relacionar com eles, uma vez que ele tinha sido membro deste mesmo corpo, antes de sua conversão. Evidentemente, essa saudação não funcionou como esperado. E ele foi atingido na boca por seu discurso desrespeitoso.

O segundo erro foi quando Paulo se defendeu vigorosamente perante o Sinédrio, acusando o sumo sacerdote de ser um sepulcro caiado de branco! A implicação era clara: o sumo sacerdote parecia limpo do lado de fora, mas estava cheio de impureza no interior. Essa não era a melhor maneira de Paulo obter apoio. Em seguida, ele pediu desculpas por falar assim acerca do sumo sacerdote, mas naquele momento Paulo provavelmente descobriu que tinha perdido a boa vontade do grupo.

Por fim, o apóstolo, conhecendo plenamente as amargas divisões teológicas entre os fariseus e os saduceus que compunham o Sinédrio, fez uma declaração a fim de ganhar alguns simpatizantes. Este pode ter sido o seu terceiro erro. Ele declarou-se um fariseu e um crente da ressurreição. Os saduceus não acreditavam no céu ou na ressurreição, no que os fariseus acreditavam com muito fervor. Instantaneamente, metade da multidão tomou seu lado, enquanto a outra metade tentou silenciá-lo.

Essa foi uma jogada inteligente, mas não seguiu o que Jesus fez sob as mesmas circunstâncias. Quando Jesus enfrentou Seu próprio julgamento perante o Sinédrio anos antes, Ellen White afirma que entre os fariseus e os saduceus existia amarga animosidade e controvérsia entre eles. “Com poucas palavras poderia Cristo haver despertado os preconceitos de uns contra os outros, e teria assim desviado de Si a ira deles” (O Desejado de Todas as Nações, p. 705). Em vez disso, o Salvador do mundo se manteve em silêncio e não se aproveitou da situação para salvar a si mesmo.

Ao meditar nessa história, eu concluí que este é um bom exemplo de que Jesus deve ser o nosso único modelo. Nem mesmo o grande apóstolo Paulo pode tomar Seu lugar. É em Jesus que devemos procurar orientação a cada passo da nossa caminhada cristã, e não em nossos irmãos, por mais que eles sejam muito fiéis a Deus.

Jesus perdoou os erros cometidos por Paulo naquele dia. Naquela mesma noite, Ele assegurou a Paulo que ele iria a Roma, apesar de tudo. Oh, que maravilhosa graça, a do nosso Senhor!

Ron E. M. Clouzet


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